sexta-feira, abril 29, 2011

Parte Final




Mulher na Turquia produzindo tapetes. Fonte: http://www.free2use-it.com/

Não é possível passar por esse tópico, sem falar dos famosos tapetes turcos. Há muitos séculos que os tapetes são itens muito desejados no Oriente. A história do tapete de “nós”, na Turquia islâmica, começou com a chegada dos seljúcidas. Alguns exemplares datam do século XIII e são ornamentados com estrelas, losangos, formas geométricas, pássaros, dragões uma vez que os otomanos proibiam o uso de decorações que representassem seres vivos. O principal centro de fabricação situa-se em Usak. Arabescos formando uma sequência de losangos, zigue-zagues, entrelaçados, são muito característicos destes tapetes raros. Tapetes são comuns em Pérgamo, com seu veludo em cores vivas como vermelho e azul, em Milas, onde são utilizados para orações, em Ghordion, onde surgiu o nó turco, em Kula, utilizados para cobrir os túmulos dos sultões e das famílias aristocratas, entre outras cidades com seus tapetes que costumam dizer muito sobre a cultura local.


Há muito tempo que a tecelagem dos tapetes é uma arte executada pelas mulheres. Esta tradição mantém-se nos dias de hoje na Turquia: em mais de 40 000 aldeias, as moças aprendem a dar os nós nos tapetes.
E para finalizar, um assunto não menos importante, porém polêmico, é a questão das mulheres na Turquia.
Este país é um dos mais ocidentalizados de todos os países do Oriente, na questão das mulheres, desde o início da história da Turquia.
Na Anatólia, nos tempos pré-históricos, a mulher representava a fertilidade. Reis e rainhas hititas tinham os mesmos direitos e durante o período helenístico, as mulheres eram livres, tendo direito até mesmo de trabalhar durante a época romana, embora lhes faltassem alguns direitos políticos. Entretanto, a partir da era dos bizâncios, mulheres e homens não eram iguais em direitos. Com o Islã e a permissão da poligamia, os direitos das mulheres mudaram. Leis religiosas abriram espaço para oportunistas degradarem os direitos das mulheres. Estas só podiam ser caminhando nas ruas se estivessem ao lado de seus maridos. A lei islâmica fazia com que a mulher otomana permanecesse sempre em uma posição social secundária ao homem.
Apenas com a instauração da República, por meio de Atatürk, que as mulheres obtiveram a igualdade de direitos com os homens perante a lei. Elas passaram a exercer o direito de voto e a ser eleitas, mesmo nas eleições locais de 1932 e nas eleições gerais de 1935. Turquia teve a sua primeira mulher Primeiro Ministro em 1993. A nova lei aprovada no Parlamento em 22 de Novembro de 2001 ampliou ainda mais os direitos das mulheres.
Neste sentido, a Turquia participou em conferências internacionais sobre os direitos da mulher e assinou acordos internacionais, no entanto, na prática e em certas regiões ou comunidades conservadoras, as mulheres e os homens ainda não são de todo iguais, não por razões legais, mas sim pelo peso de tradições.
Hoje na Turquia é possível ver mulheres vestidas com véus, andado lado a lado com mulheres de calça jeans e cabelos soltos.



5.3.6 - Choque cultural turco.

O site Negócios com a Turquia, trás algumas curiosidades da Turquia, que são importantes de saber antes de viajar.
Alguns dos costumes são estranhos. É comum, por exemplo, ao andar nas ruas, ver dois homens caminhando de mãos dadas ou abraçados. Eles se cumprimentam dando dois beijos um em cada face, mas eles não são homossexuais. É apenas um hábito muito comum na Turquia.
As chamadas para a oração são cinco vezes ao dia e uma delas é ao nascer do sol! Portanto é comum acordar muito cedo por causa do barulho de altos falantes. Em alguns bairros mais religiosos você poderá ver mulheres vestidas todas de negro. Em Istambul você verá também mulheres com lenços coloridos na cabeça e as mais modernas que se vestem como as Europeias. A roupa faz parte da religiosidade das mulheres, portanto quanto mais religiosa, mais rigorosa a vestimenta da mulher. Se o homem tiver barba ou estiver usando uma boina branca ou um turbante branco, verde ou preto isso significa que ele é religioso. Em algumas mesquitas são dados uma espécie de cangas tanto para homens quanto para mulheres cobrirem as pernas caso usem um short, e os braços caso estejam com uma blusa sem manga.
Existe um transporte de micro-ônibus na Turquia que se chama "dolmus". Eles param em qualquer ponto para deixar ou pegar pedestres. Você paga somente o preço da passagem de onde você pegou o dolmus até o seu destino. Os preços variam para cada pessoa, dependendo de onde ela entrou. O próprio motorista faz a cobrança. Ao sentar nestes dolmus, fique geralmente no último assento se não terá de repassar o dinheiro vindo dos bancos de trás e repetir ao motorista o destino dos outros passageiros.
Os turcos fazem piqueniques o tempo todo. Nos fins de semana se pode ver famílias inteiras nos parques e praças. Eles trazem tapetes ou panos para forrar o chão até churrasqueira e fogareiro para o chá.
Apenas como curiosidade, os turcos não comem peixe com iogurte, por que dizem que causa envenenamento, o equivalente ao conto do leite com manga do Brasil. Além disso, eles nunca entregam uma faca diretamente à outra pessoa. Coloca-se a faca sobre a mesa para que a outra pessoa pegue. Se por esquecimento, alguém receber a faca diretamente de outra pessoa, ela deve cuspir na faca. Nesta crença a "cuspida na faca" faz com que as pessoas envolvidas no caso não briguem entre si.



6 – CONCLUSÃO: Pontos a destacar sobre o país

Após quatro tópicos detalhados sobre a diversificada economia da Turquia, é possível chegar a dezenas de conclusões sobre este que é o segundo maior país da Europa, se é que podemos considera-lo integrante do continente europeu.
Aliás, este tem sido um dos argumentos mais utilizados pelos países integrantes da União Europeia, em diversas pesquisas encontradas durante o nosso processo de estudo. O fato é que os países europeus não parecem muito contentes com a ideia de a Turquia fazer parte da União Europeia, seja por suas implicações políticas, seja pela proximidade que a Europa passaria a ter com os países do Oriente Médio, e com toda problemática envolvida á partir disso.
Mas o simples fato de a Turquia ter se tornado oficialmente candidata à União Europeia na década de 90, fez com que este país desenvolvesse um longo e eficiente histórico de gestão econômica e reformas estruturais sólidas de longo prazo para de tornar apta a fazer parte deste importante bloco europeu. O único fato que pode ter atrapalhado um pouco os objetivos da Turquia foi a recente crise mundial, uma vez que o elevado grau de integração turco na economia mundial tornou o país vulnerável ao impacto da recessão global. Mesmo assim, a Turquia tem mostrado seu poder de recuperação em 2010 com suas elevadas taxas de crescimento.
Alguns dos requisitos para que um país possa integrar a União Europeia são o respeito aos "princípios da liberdade, democracia, direitos humanos e liberdades fundamentais”. Por este motivo, a Turquia tem feito reformas significativas em seu sistema governamental, principalmente no que tange aos direitos das mulheres. Infelizmente, as notícias que vemos expostas na mídia a respeito daas condições femininas na Turquia ainda são alarmantes, principalmente por causa da cultura local tão fortemente arraigada na população. Não raro, ouvimos falar de abusos contra as mulheres, como o caso da jovem que foi enterrada viva por falar e andar com meninos, isso no começo de 2010.
O problema dos curdos e dos cipriotas também são pedrinhas no sapato da Turquia. Ainda existem muitos conlitos etnicos e separatistas entre os curdos e turcos, e entre turcos e gregos pela República do Chipre, e isso influencia significativamente a decisão da União Europeia.
Mas o ponto positivo é que a Turquia tem feito diversos investimentos na área de exportação e importação, viabilizando seus sistemas de transporte, investido em oleodutos, ampliando seu número de países clientes, como o próprio Brasil, numa forte tentativa de ingressar na Amérca Latina.
A Turquia está também no ranking dos países com IDH elevado. A renda per capita é razoável, mas o índice de desemprego ainda é muito grande. A taxa de desemprego ultrapassou 16 por cento no primeiro trimestre de 2009, isto é, mais de um em cada quatro trabalhadores em situação de desemprego.
Um dos pontos positivos a se destacar na Turquia é o Turismo. A Turquia ser um dos países com o maior número de cidades antigas faz com que ela seja um dos países mais visitados por turistas do mundo inteiro. E ela aposta nisso. O repórter especial da Folha Fernando Canzian, esteve na Turquia em 2009, e em sua reportagem, “Inveja dos turcos” para o folha online, ele faz observações importantes sobre a melhoria na infraestrutura do país, o sistema de meio de transporte, melhorias no sistema de saúde e na adequação das ruínas do país para a entrada de turistas. Ele ainda se refere à Turquia como um país semelhante ao Brasil, mas que administra sabiamente o dinheiro que entra, investindo no bem estar da população.
São muitos os pontos positivos para se destacar sobre a Turquia, bem com alguns pontos negativos que precisam ser resolvidos. Mas o amplo desenvolvimento da economia Turca num curto espaço de tempo deveria servir de exemplo a diversas economias subdesenvolvidas que não conseguem melhorar sua posição em qualquer ranking de âmbito mundial. Infelizmente, é digno de nota que foi preciso o objetivo de entrar na UE, para que a Turquia buscasse alguma melhoria a nível econômico. Isso coloca a população da Turquia numa condição instável, a mercê de um governo preocupado muito mais com melhorias no âmbito econômico, do que no âmbito social, quadro que não é muito diferente do que vemos em muitos países, inclusive o nosso. Embora isso não seja totalmente negativo, uma vez que melhorias na economia significam melhorias para as condições de vida turca, essa condição de desenvolvimento faz-nos pensar o que acontecerá com a Turquia daqui alguns anos, se o país decididamente não for aceito como integrante da União Europeia. Ou ainda, quais serão as reações de outros países tanto europeus quanto asiáticos, se a Turquia for aceita. As consequências políticas podem ser gigantes, não só para a população da Turquia, mas para nações europeias e asiáticas inteiras. A nós, como telespectadores, cabe somente torcer, sempre pelo bem.



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